segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Contratação de Ronaldo poderá render dinheiro ao Fla
Especialista indica ações de marketing possíveis com a chegada do Fenômeno ao clube do coração em 2008
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Gestão de Estádios - Maracanã - Licitação de Bares
No dia 5 de setembro passado a dupla FLA-FLU assinou um contrato de convênio, reduzindo o custo de aluguel por jogo para R$ 5 mil. (GloboEsporte.com - 05/09/2007)
Este é o modelo de gestão correto para um estádio de futebol?
Em 2004, quando cheguei ao Fla-Futebol, fizemos um levantamento da bilheteria do Flamengo no ano anterior no Maracanã. O clube arrecadou bruto R$ 2,2 milhões e ficou com com R$ 200 mil líquidos, ou seja, menos de 10% (cerca de R$ 10 mil por jogo). Os outros R$ 2 milhões, foram distribuídos, quase que equitativamente, em 4 grandes grupos: SUDERJ - CBF e Federação de Futebol - custos do jogo (juízes, quadro móvel , etc) - outras despesas (impostos, taxas, etc). Além disto, ainda tínhamos que jogar num estádio que vendia espaços publicitários, por exemplo, para a UNIMED, patrocinadora de um "concorrente direto", o Fluminense. Ou seja, em tese, o Flamengo ajudava a UNIMED a vender mais planos de saúde e aumentar o investimento no patrocínio do Fluminense!
Mostramos isto para a diretoria do Flamengo na época, e eles autorizaram levarmos os jogos para o recém-inaugurado Estádio da Cidadania em Volta Redonda. Num convênio de parceria com a prefeitura, onde dividíamos os lucros igualmente, o Flamengo tinha uma garantia mínima de R$ 100 mil líquidos por jogo, mais as despesas de viagens e estadias cobertas pela prefeitura. Toda a exploração do estádio era feita em conjunto. Conclusão, o Flamengo teve uma arrecadação líquida de cerca de R$ 3 milhões de reais e foi o clube que mais vendeu carnês dos jogos do Brasileirão em 2004, cerca de 2.000 contra 60 em 2003. A prefeitura ocupou o estádio, a cidade ganhou projeção nacional e internacional com a transmissão dos jogos, a economia e a população da cidade se beneficiaram.
Naquele ano, nos reunimos com o então superintendente da SUDERJ - Francisco de Carvalho (Chiquinho da Mangueira) e chegamos à conclusão de que o modelo de gestão precisava ser mudado. A ausência do Flamengo foi ruim pro estádio e tecnicamente para a equipe, já que havia o desgaste dos deslocamentos para Volta Redonda. Começamos a elaborar uma proposta onde o Flamengo garantiria 60 jogos em 3 anos no Maracanã, pelo Brasileirão, e teria participação direta na gestão. O projeto não foi à frente por vários motivos. Um deles, pela minha saída do Fla-Futebol ainda naquele ano.
Três anos depois, vejo a assinatura de convênio entre a dupla FLA-FLU e a SUDERJ reduzindo as despesas e, todos celebrando como um avanço no modelo de gestão do estádio. É provável que continuemos a ver a logomarca da UNIMED nos jogos do Flamengo sem que o clube receba um centavo!
Qual seria a solução?
A SUDERJ alugaria o estádio limpo de publicidade e concessões, como se faz no mundo desenvolvido. A CBF faz isto por aqui, quando a Seleção Brasileira realiza seus jogos. O Flamengo buscaria um empresa de bebidas a qual, para ter a exclusividade de distribuição nos seus jogos, pagaria um valor que, muito provavelmente, cobriria as despesas dos jogos. Isto combinado com a exclusividade de venda nas dependências do clube.
Outro tipo de exploração que chegamos a experimentar em alguns jogos que o Flamengo fez no estádio (sete clássicos) em 2004, era dividir o estádio em três áreas: as cadeiras especiais seriam uma espécie de primeira classe, com preços compatíveis com os serviços prestados. As cadeiras brancas em frente (cerca de 11 mil) a classe executiva. Finalmente, as outras áreas do estádio, seriam a classe econômica com preços populares.
Este é um bom tema para discussão. Teremos uma Copa do Mundo em 2014 e precisaremos de bons gestores de estádios de futebol.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Volta às aulas - Curso de Marketing Digital me mostra um outro mundo
A Internet abriu um mundo fascinante e ao mesmo tempo misterioso para os "baby boomers" (termo cunhado nos EUA para os nascidos no pós-guerra e consumidores da nova geração como eu) virando, literalmente, o mundo de cabeça para baixo. Quando era jovem, se não soubesse inglês e datilografia estava mal para entrar no mercado de trabalho. Hoje, quem não souber usar o computador e a internet, além do inglês e do espanhol (!) vai ficar fora do ar.
O esporte será enormemente afetado pela realidade das novas midias - tv digital, internet, telefonia móvel, etc. Outras propriedades e direitos se desenham para distribuir, comunicar e comercializar os produtos/eventos esportivos.
Por isto decidi fazer o curso de FORMAÇÃO EM MARKETING DIGITAL do INFNET . Já conclui um curso basico de HTML - que é pré-requisito - com o Prof. Cello Guerra (complementado por outro de webstandards e dreamweaver com o Prof. Lao Martins). Esta semana terminei o primeiro módulo (Mktg Digital e Novas Midias) de cinco com o Prof. Gustavo Loureiro.
Ao mesmo tempo, já estou colocando em prática os conhecimentos adquiridos na sala de aula. Este blog e um canal no You Tube são algumas das ferramentas que estou colocando em prática para, depois do livro, lançar cursos de gestão e marketing esportivo de curta e longa duração.
Diria que, para o estudante ou o profissional que trabalha/tem interesse no esporte, é fundamental adquirir este tipo de conhecimento.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Para especialista, Ronaldo é lucro certo
Consultor de marketing esportivo diz que a contratação do craque é viável e positiva
Repatriar um ídolo pode ser uma boa forma de encher os cofres. A afirmação é baseada na conversa com o consultor de marketig esportivo João Henrique Areias. O GLOBOESPORTE.COM procurou um especialista no assunto para avaliar o possível retorno de Ronaldo Fenômeno ao Brasil para jogar a Copa Libertadores 2008 pelo Flamengo. Caso a negociação se concretize, Areias acredita em lucro significativo para o clube rubro-negro.
- A iniciativa é muito boa. Não duvido que o Kléber (Kléber Leite, vice de futebol do clube) consiga, pois conseguiu trazer o Romário em 1995. No futebol você não tem nada 100%, mas diria que a chance de dar certo é de quase 99%. A questão é estabelecer as ações necessárias para concretizar a negociação. Trazer um ídolo de volta ao país é altamente positivo - diz.
ver artigo completo no GloboEsporte.com
Baú do Areias - Copa de 94 - Romário sempre cuidadoso com seus contratos
"Falar durante a Copa de 94 com Romário só foi fácil para um homem, João Henrique Areias, ex-diretor de marketing do Flamengo que se transformou num bem-sucedido intermediador de contratos de publicidade para os jogadores da seleção brasileira. Areias almoçava no restaurante do hotel da seleção com a família (ele divide seu tempo entre o Brasil e os Estados Unidos), quando se aproximou o goleiro reserva Gilmar, que também utiliza seus serviços profissionais. "Gilmar, preciso falar urgente com o baixinho", disse Areias. Não havia passado dez minutos quando o baixinho chegou. Areias informou a Romário que um cliente estava interessado em usar as imagens do gol contra a Holanda - e que eles precisavam estipular um valor naquele instante para não perderem a oportunidade.
VALORIZAÇÃO - Ansioso com a súbita valorização de Romário, Areias buscava contato com os patrocinadores da Copa para tentar fechar novos negócios com o artilheiro do Barcelona cuja fama foi catapultada durante a Copa. Era véspera da semifinal da Copa do Mundo, mas Romário calmamente discutiu com Areias as possibilidades de lucro em cada contrato. O jogador é minucioso com os contratos que assina. Lê linha por linha e não admite ganhar menos do que poderia. Isso não tem acontecido. Romário apostou 10.000 dólares com o búlgaro Hristo Stoichkov, outros 10.000 com o espanhol Julio Salinas, e ainda mais 10.000 com o holandês Ronald Koeman, todos seus companheiros no Barcelona. A aposta era que a seleção brasileira ficaria à frente de Bulgária, Espanha e Holanda na Copa. Sem muito esforço, embolsou 30.000 dólares com as apostas."
CONTRATO DA NIKE
Fonte: Livro Uma bela jogada - 20 anos de marketing esportivo - pag 78
O mais interessante é que o Baixinho sempre nos ajudou muito a fechar os contratos. Se na hora de acertar os último detalhes ele deixava comigo, como fez com a Brahma, antes disso ele participava com sugestões inteligentes. Lembro que, quando foi assinar um contrato de renovação com a Nike, ele me pediu para dar uma consultoria, extra-oficialmente. O documento tinha 20 páginas em inglês. Eu li, fiz algumas anotações e entreguei a ele de volta. Não dei muita importância porque eu sabia que o Romário não falava inglês, mas esqueci que tinha um holandês fluente, devido ao tempo em que morou lá. Então o craque, numa rápida olhada, descobriu que havia um item incluindo sandálias no rol de produtos da Nike que poderia ser divulgado por ele. “Que sandália, João! O meu negócio com eles é só tênis e chuteira. Vamos tirar isso”. E tiramos. Se não o fizéssemos, o Romário não poderia ter assinado o contrato com a Grendene, pois haveria compromisso de exclusividade com a Nike também com sandálias.
domingo, 23 de dezembro de 2007
Clube de Futebol - Amor à Prova de Eternidade
João Henrique Areias - Consultor de marketing esportivo e autor do livro
Uma Bela Jogada - 20 Anos de Marketing Esportivo
POR QUE as empresas pagam tanto para anunciar nas camisas dos times de futebol? E porque poderiam pagar mais?
É porque o homem troca de mulher (e vice-versa!), de religião, de partido político, de marca de produto, mas, raramente, troca de time de futebol. Trata-se de lealdade tão profunda que às vezes se assemelha ao fanatismo. É esta relação que as empresas gostariam que os consumidores tivessem com seus produtos e serviços. A paixão e a emoção são os ingredientes da relação do torcedor com seu clube do coração. Além disto, o esporte é um fenômeno que atinge a todas as faixas de público, independentemente de credo, raça, idade, sexo ou classe social.
As empresas anunciantes sabem que o esporte é um excelente veículo de comunicação, sem qualquer barreira junto ao público consumidor. Um comercial na TV pode ser ignorado, mas a camisa do clube jamais.
No Brasil, a publicidade nas camisas tem sido a forma de exploração deste canal. Desde 1984, quando o Flamengo assinou com a Petrobras – contrato que se tornaria um dos mais longevos do futebol mundial –, grandes marcas têm se associado aos clubes. A Coca-Cola, em 87, foi mais longe e patrocinou todos os grandes clubes do Brasil, componentes do Clube dos 13, que jogaram a Copa União. Ela se associava, na verdade, ao conceito de recuperação de uma paixão popular, uma vez que os clubes estavam à beira da falência e a CBF se declarara sem recursos para realizar o campeonato nacional. Com a transmissão ao vivo pela TV Globo, VTs e a cobertura dos demais veículos de comunicação, o valor da exposição da Coca-Cola foi muito maior que o valor investido. De quebra, a maior empresa de bebidas do mundo ganhou simpatia junto ao brasileiro numa época especialmente difícil para multinacionais.
Com o advento das novas mídias (TV digital, internet, telefonia móvel, etc), que aumentou a exposição dos jogos de futebol, e a consolidação do sistema de pontos corridos, que garante atividade para todo mundo o ano inteiro, os clubes brasileiros têm uma oportunidade ímpar de formar parcerias para aumentar sua autonomia econômica e, assim, manter nossos craques no Brasil. Isto já começa a se tornar realidade com os recentes anúncios de patrocínio da Fiat ao Palmeiras, da Liquigás com o Botafogo, da Medial Saúde com o Corinthians e da Embratel com sete clubes do interior paulista.
Com a devida profissionalização dos dirigentes, começará um ciclo virtuoso que trará resultados para toda a indústria esportiva mas cujo maior beneficiado será o torcedor-consumidor.
Afinal, o Brasil é um dos maiores mercados publicitários do mundo.
Coluna publicada no Diário Lance!
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
ZICO recomenda livro Uma Bela Jogada - 20 anos de marketing esportivo
Fiz uma pequena colaboração no livro com alguns comentários sobre a importância da gestão profissional no futebol. E há uma necessidade do Brasil migrar para esse modelo. Mas não é só por isso, é claro, que eu recomendo e coloco o livro de Areias na minha biblioteca virtual. Trata-se de um belo aprendizado para torcedores... e dirigentes.
Zico
Nota extraída do site oficial do jogador - da seção TOQUE DE LETRA - http://http://www.ziconarede.com.br/znrpub/pt_index_news.htm
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Distribuição “Uma Bela Jogada – 20 anos de Marketing Esportivo”
Rua Visconde de Pirajá, 276 (Ipanema)
Av. Ataulfo de Paiva, 1292 - Loja C (Leblon)
http://www.letraseexpressoes.com.br/
Livraria da Travessa
Rua Visconde de Pirajá, 462 (Ipanema)
Travessa do Ouvidor, 17 (Centro - Ouvidor) Av. Rio Branco, 44
(Centro - Rio Branco) Rua Primeiro de Março, 66 térreo
(Centro - CCBB) Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A (Shopping Leblon) http://www.travessa.com.br/
Livraria Folha Seca
Rua do Ouvidor, 37 (Centro)
http://www.livrariafolhaseca.com.br/
Livraria Carga Nobre
Rua Marques de S. Vicente, 225 - Gávea (PUC – RJ)
http://www.puc-rio.br/noticias/editorapucrio/onde_encontrar.html
Livraria Leonardo Da Vinci
Av. Rio Branco, 185 – Ljs. 2, 3, 4 e 9 (Centro)
http://www.leonardodavinci.com.br/
Livraria Prefácio
Rua Voluntários da Pátria, 39 (Botafogo)
http://www.prefaciolivrarias.com.br/
Livraria Eldorado
Rua Conde de Bonfim, 422 – Ljs. C/ D e K (Tijuca)
http://www.eldoradoonline.com.br/
Livraria Nobel
Rua do Acre, 51 (Centro)
http://www.livrarianobel.com.br/
Livraria Galileu
Rua Visconde de Pirajá, 207 – Loja A (Ipanema)
Rua do Catete, 347 Loja B (Largo do Machado)
Rua Major Ávila, 116 Loja B (Tijuca)
http://www.livrariagalileu.com.br/
Armazém Digital
Av Ataulfo de Paiva, 270 – Lojas SS 103 /104 (Leblon)
Estrada União Indústria,10341 - Loja 102 (Itaipava)
http://www.armazemdigital.art.br/
Loja Fla Boutique
http://www.flaboutique.com.br/loja/index.php
Loja Hawaii Sports
Av Maracanã, 987 - Shopping Tijuca
http://www.shoppingtijuca.com/
Livraria Laselva
http://www.laselva.com.br/
Livraria Exceler
Rua Capitão Salomão, 14 – Lj C (Botafogo)
Livraria Bolivar
Rua Bolívar, 42 – Lj A (Copacabana)
Loja Fanáticos por Futebol
Av. Rio Branco, 1565 – 1° andar / Lj 20
Em São Paulo:
Livraria Supernews (Rodoviárias Tietê, Barra Funda e Jabaquara)
Livraria Nobel (Shopping Penha)
Livraria Silvio Romero (Praça Silvio Romero)
Livraria Papiro – Ruas dos Andradas, 193 (Pidamonhangaba)
Livraria Cultura - Conjunto Nacional - Shopping Villa Lobos - Market Place Shopping - http://www.livrariacultura.com.br/
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Reconhecimento a um Feito Marcante
Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 2007
No Brasil, notabilizamo-nos pela dificuldade em preservar a memória e, normalmente, demoramos a perceber como determinadas iniciativas são capazes de criar profundas mudanças nos diversos setorres da sociedade.
Pensei nisso ao ler o livro UMA BELA JOGADA - 20 ANOS DE MARKETING ESPORTIVO, do nosso prezado conselheiro João Henrique Areias.
A inovação e a criatividade estão presentes em cada uma das páginas e principalmente nos casos narrados. Tal reconhecimento é compartilhado por diversas personalidades do meio esportivo, que dão ali seus testemunhos, como Zico, Júnior, Pelé, Carlos Augusto Montenegro, Juca Kfouri, dentre outros.
Um dos episódios que merece destaque é a Copa União. de 1987, que aconteceu apenas três anos depois de um evento que tornou referência para o Marketing esportivo internacional: os Jogos Olímpicos de Los Angeles - os primeiros financiados totalmente pela iniciativa privada, gerando lucro para seus realizadores. Peter Ueberroth, que desenvolveu o projeto de comercialização, virou capa do Time.
A Copa União teve ingredientes semelhantes no âmbito nacional. Pela primeira vez a televisão esteve presente, quebrando um paradigma entre os dirigentes, historicamente receosos de que tal concorrência pudesse afastar o torcedor dos estádios. A TV comprou e transmitiu o campeonato nacional, favorecendo ainda a entrada de outras empresas no projeto. A iniciativa deixou um legado, ao revelar novas fontes de receitas aos clubes, além de bilheteria e das mensalidades dos associados.
Da concepção da idéia à comercialização do empreendimento, praticamente tudo foi desenvolvido pelo nosso Vice-Presidente de Marketing à época, João Henrique Areias.
Depois de aprovado numa reunião histórica no Clube dos 13, no próprio Flamengo, João foi para o São Paulo e junto com o Diretor de Marketing do São Paulo, Celso Grellet, trouxe os recursos da iniciativa privada que viabilizaram a principal competição esportiva nacional, como fez o Peter Ueberroth em 1984, com as Olimpíadas.
Por esta razão, o Clube de Regatas do Flamengo homenageia e publicamente reconhece o papel fundamental e o marco estabelecido por Areias para o marketing esportivo nacional.
Parabéns João, pelo feito marcante. Parabéns João, pelo livro.
Mário Baroukel de Souza Braga
Presidente
Indicação
O QUE DEU ERRADO?
Esqueça a briga fútil entre São Paulo e Flamengo para decidir quem é o primeiro pentacampeão brasileiro de futebol. Para quem quer saber o que aconteceu fora dos campos naquele ano de 1987, quando foi criado o Clube dos 13 e lançada a Copa União, a dica é o livro Uma bela jogada – 20 anos de Marketing Esportivo (Editora Outras Letras), de João Henrique Areias. A obra traz um relato detalhado sobre esse case de vanguarda, quando o autor foi um dos responsáveis por um projeto que nasceu vitorioso e poderia ter mudado a história do futebol no Brasil. Além dessa, Areias conta também outras seis experiências (boas e ruins) que viveu no mundo do marketing esportivo.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Promoções
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http://www.sportmania.com.br/
Participe, quem sabe você não garante o seu?!
Entrevista: João Henrique Areias Fundador do Clube dos 13 fala sobre o futebol e a polêmica Copa União de 1987
João Henrique Areias revolucionou a história do futebol brasileiro como um dos fundadores do Clube dos 13. Passados 20 anos, ele lança o livro “Uma Bela Jogada - 20Anos de Marketing Esportivo” contando como tudo aconteceu.
Em entrevista exclusiva para O Estado RJ, fala sobre o esporte que é paixão nacional e comenta a polêmica Copa União de 1987, que ainda gera muita discussão a respeito de seu campeão.
Com a falta de verba da CBF para realização do Campeonato Brasileiro em 1987, os 13 maiores clubes se juntaram para montar um campeonato próprio. No entanto, era preciso dinheiro para a realização desse projeto. Como isso foi feito?
Eram necessários cerca de um milhão de dólares para despesas de viagens e estadias dos 16 clubes que vieram a disputar a Copa União. A CBF já havia declarado publicamente que não tinha recursos suficientes da Loteria Esportiva, daí o surgimento do Clube dos 13 (Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Gremio, Internacional, Cruzeiro, Atlético e Bahia - foram convidados a participar da Copa União o Coritiba, Goiás e Santa Cruz). Foi aí que o presidente do Flamengo, Márcio Braga, me pediu que apresentasse um projeto de marketing aos clubes. Eu era o vice-presidente de Marketing do Flamengo na época. Convenci aos dirigentes que era necessário termos a TV como parceira e, junto com o Celso Grellet, diretor de marketing do São Paulo, vendemos o campeonato para a TV Globo, Coca Cola, Varig, Editora Abril e Dover. Conseguimos levantar seis milhões de dólares em cerca de 30 dias.
Por que a CBF não queria que fosse criada a Copa União?
Porque era um movimento considerado "rebelde", paralelo, que ameaçava a estrutura de poder do futebol mundial, comandada pela FIFA. Era o receio que no Brasil surgissem ligas independentes como nos EUA (NBA - NFL, etc). Por isto até hoje eles insistem em não reconhecer o Flamengo como campeão.
No ano seguinte a Copa União acabou e o modelo antigo do campeonato voltou. Por que isso aconteceu se a Copa União deu tão certo?
No ano seguinte a CBF, vamos dizer assim, se recobrou do golpe e voltou a ditar regras. Alguns dirigentes, por serem voluntários e por interesses diversos, acabaram aceitando a volta do poder para a CBF. Imediatamente ela inchou o campeonato para 24 clubes, sem qualquer critério técnico ou econômico. Prevaleceu a política.
É uma polêmica até hoje quem realmente foi o campeão de 87. A CBF declarou o Sport como campeão e o Clube dos 13 o Flamengo. Como isso aconteceu?
Em 1987, depois de iniciada a Copa União, a CBF conseguiu recursos para fazer um outro campeonato com os demais clubes. Ela pediu o regulamento da Copa União ao Clube dos 13, para "adaptar" o seu regulamento. Sem avisar ao Clube dos 13, ela incluiu um cruzamento dos dois primeiros colocados da Copa União, que ela denominou Módulo Verde no seu regulamento, com os dois primeiros do Módulo Amarelo, como chamou seu campeonato. Os 16 clubes da Copa União se recusaram a cumprir tal determinação. Por isto ela declara o Sport, campeão do módulo amarelo, o campeão oficial do Campeonato Brasileiro de 1987.
Como um dos fundadores do Clube dos 13, você considera o Flamengo como o verdadeiro campeão da Copa União?
Claro! Não só eu, como toda a imprensa brasileira (é só olhar os jornais da época), todos os clubes que participaram da Copa União (jogadores, técnicos, dirigentes) e os torcedores em geral.
Hoje, qual a importância do Clube dos 13 para o futebol brasileiro?
Infelizmente, o Clube dos 13 começou a perder identidade já no ano seguinte. A TV Globo chegou a afirmar que apoiaria o Clube dos 13, mas alguns dirigentes resolveram aceitar as imposições da CBF na época, como o aumento do número de clubes, descaracterizando a Copa União. O legado que deixamos foi mostrar aos clubes as possibilidades de outras receitas como a TV e o patrocínio, já que eles viviam, em sua maioria, dos recursos dos sócios e da bilheteria dos jogos.
Como surgiu a idéia de escrever o livro “Uma Bela Jogada - 20 Anos de Marketing Esportivo”?
No ano passado, durante uma entrevista para o Rodrigo Araújo (ex-Lance!) da Tv Globo/Sportv, ele me lembrou de que este ano o Clube dos 13 completaria 20 anos. Me sugeriu que escrevesse um livro sobre este e outros casos, como a Seleção Brasileira de 1994, Fluminense de 1995, Basquete, Sávio, etc. Outro motivo foi a disponibilidade de personalidades como Sávio, Zico, Junior, Pelé, Montenegro, Márcio Braga, Juca Kfouri e outros, para darem depoimentos sobre cada um dos capítulos do livro onde, de alguma forma, eles estiveram envolvidos. Tive a ajuda do jornalista Felipe Awi e acho que o resultado final é bom, tanto para o estudante interessado nesta área, tanto para o público em geral que gosta do esporte.
Qual a melhor estratégia para os clubes brasileiros alcançarem a qualidade dos clubes europeus?
Mudança do modelo de gestão, tema do último capítulo do meu livro. Em pleno Século 21, vemos dirigentes voluntários, não remunerados, que chegam nos clubes no final da tarde, tomarem decisões que afetam o presente e futuro dos clubes. Não pode dar certo. É necessária a imediata profissionalização. O presidente e sua diretoria precisam ser profissionais.
Notícia Postada em 15/12/2007
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Modelo de Gestão
Ontem de madrugada, por volta de 1h da manhã eu e mais de 300 conselheiros do Flamengo, saímos do clube após aprovarmos, com 8 meses de atraso, as contas (e o balanço) do ano de 2006 da gestão do presidente Márcio Braga. A reunião começou às 19:30h de segunda.
Neste mesmo fórum, o Conselho Deliberativo, são discutidos e submetidos à aprovação temas que vão desde a nova camisa do time de futebol a ser lançada pela NIKE até um contrato de promoção com uma televisão, um banco e uma empresa de marketing esportivo.
É como se a VALE, a IBM e outras empresas, submetessem seus projetos de expansão de fábricas, lançamento de produtos e outras atividades para avaliação dos acionistas. Certamente elas não seriam as empresas que são hoje.
A face triste é que a aprovação das contas do Flamengo, não se deu por critérios técnicos, mas foram aprovadas no embalo politico dos grupos que ali estavam presentes. A maioria dos que eram contra ou a favor, votaram por simpatia ou antipatia pelo presidente Márcio Braga, que no oitavo mandato no clube, gerou naturalmente sentimentos opostos à seu respeito.
Digo isto porque não me sinto capaz de analisar contas e muito menos um balanço, mesmo com as (boas) apresentações do representante do Conselho Fiscal (politicamente contra o presidente e sua diretoria) e do representante (profissional) da diretoria. O interessante é que os dois reconheceram irregularidades, mas em nenhum momento houve manifestação de que essas possíveis irregularidades, significavam desonestidade. Mais um reflexo da falta de tempo e de responsabilidade do dirigente voluntário.E como eu, várias das pessoas ali presentes, senão a maioria, não tinham condições de analisar e aprovar com a precisão e responsabilidade que uma instituição do tamanho do Flamengo exige. Os pareceres do Conselho Fiscal (contra a aprovação) e da Comissão de Finanças do Conselho Deliberativo (pró-aprovação), também tinham este ponto em comum – erros e supostas irregularidades contábeis na prestação de contas.
A votação apertada aprovou as contas de 2006, repito, com 8 meses de atraso. A não aprovação, no minimo, resultaria em danos sérios à imagem de um clube amado por mais de 30 milhões de pessoas. Em certo momento, cheguei a imaginar estes mais de 60 milhões de olhos, ali dentro, olhando para nós, para os 8 conselheiros (4 do contra e 4 a favor) , e mais os presidentes de poderes que se inscreveram para discursar, defendendo com veemência seus pontos de vista. Alguns clamavam pela nossa consciência, pela nossa integridade e até como íamos chegar em casa e olhar na cara dos nossos filhos, esposa, etc. Não sei se a reação dos 60 milhões de olhos seria de riso ou de tristeza. Mas que era surreal era.
O fato é que as contas foram aprovadas e se instaurou comissões para fazer uma análise mais profunda das supostas irregularidades.
Esta reunião de segunda/terça, deixa claro que o Flamengo tem um modelo de gestão que deveria ter sido aposentado definitivamente no século 20. Como digo no livro; funcionou bem até os anos 70, mas com a chegada da TV, dos patrocinadores, investidores, agentes de atletas e outros, que levaram o esporte e, em particular, o futebol à condição econômica que hoje ostenta na indústria do entretenimento, o clube pode se tornar inviável se não for administrado de forma profissional.
João Henrique Areias
Obs: Foram 153 (61%) votos a favor e 99 (39%) contra. Todos os ex-presidentes eleitos, que completaram seus mandatos (André Richer, George Helal, Gilberto Cardoso Filho, Luiz Augusto Veloso, Kleber Leite e Helio Paulo Ferraz) votaram a favor.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Futebol como espetáculo
Restaurantes, cinemas, ingressos caros, conforto, lugares marcados e ainda um jogo de futebol para apreciar. Uma realidade não muito distante do futebol brasileiro que pode ver nos próximos anos uma mudança no perfil do torcedor de arquibancada. Essa parece ser a tendência natural e inevitável para que o futebol do país se modernize e saia do oceano de dívidas a que seus clubes foram se afundando nas últimas décadas de administrações amadoras ao passo que o mundo do esporte avançou de maneira voraz para modelos de gestão mais profissionais.
Pelo menos esta é a visão de muitos dirigentes e especialistas em marketing esportivo que vêem nessa transformação uma saída para que o futebol volte a dar lucro e mantenha seus grandes jogadores por mais tempo atuando no Brasil.
Nesta sexta-feira, o presidente do Corinthians, em entrevista ao jornal "Folha de São Paulo" revelou o desejo de o clube construir um estádio em que parte das arquibancadas seriam reservadas para torcedores que possam pagar até R$ 200 pelo ingresso. Um outro pedaço menor do estádio, que teria capacidade para 77 mil pagantes, seria reservado para o setor popular.
É o conceito de espetáculo que chega ao futebol. O mesmo que move o Carnaval do Rio hoje, por exemplo. Para o especialista em marketing esportivo João Henrique Areias, o futebol precisa definitivamente se profissionalizar para entrar no século XXI.
- A tendência dos estádios é você não elitizar, mas o tornar mais caro. A questão é de demanda e oferta e enquanto você tiver uma demanda forte para o estádio pode colocar o preço alto. E como o torcedor que não puder pagar verá o jogo? Pela TV. O mundo capitalista é assim e não podemos ser hipócritas e dizer que vai tirar o povão do estádio, pois há muito tempo o futebol deixou de ser lazer para virar um negócio - afirmou Areas, que na próxima terça-feira lança o livro "Uma bela jogada - 20 anos de marketing esportivo".
" Há muito tempo o futebol deixou de ser lazer para virar um negócio "
O que foi visto no Morumbi na quarta-feira durante o jogo da seleção brasileira contra o Uruguai - estádio lotado, renda alta (mais de R$ 4 milhões), camarotes que não devem nada aos mais luxuosos do Carnaval ou de shows de grandes bandas no país - pode ser um ensaio de como será a Copa de 2014 e para uma mudança no modelo de gestão do futebol brasileiro.
Com um projeto semelhante ao do Corinthians, mas que ainda encontra resistência para sair do papel, o Flamengo também planeja construir um estádio na Gávea seguindo a mesma lógica. Segundo o presidente Márcio Braga, o estádio da Gávea teria capacidade para 30 mil pagantes, sendo que 10 mil lugares atrás dos gols seriam reservados para as camadas populares e a torcida adversária.
Para que isso aconteça, no entanto, o futebol precisa se profissionalizar. João Henrique Areias lembra que as relações no futebol mudaram muito com o passar dos anos, mas os dirigentes continuam amadores.
- Nos anos 70, havia os dirigentes amadores que lidavam com os sócios e os torcedores. Nos anos 80, entrou a TV e os anunciantes. Na década passada, entraram no jogo os agentes Fifa e os investidores. Esses caras são profissionais do futebol e os dirigentes continuam sendo aqueles que chegam às 17h para cuidar dos problemas do clube - critica.
Por isso que Areias considera fundamental mudanças drásticas na administração esportiva brasileira. Ele sugere que os clubes formem conselhos administrativos que contratariam um executivo que poderia cuidar do futebol. Este profissional teria responsabilidades e metas a serem cumpridas. Areas também diz que os clubes têm que oferecer conforto e espetáculo aos torcedores.
- O que mantém o torcedor feliz é título e ídolo - lembra, para em seguida, cobrar mais profissionalismo do futebol brasileiro.
- O futebol tem que melhorar diversas coisas como o atendimento. O torcedor aqui é maltratado. Você só pode cobrar caro por um ingresso se mantiver uma boa equipe e tornar o programa de ir ao estádio agradável. Você tem que proporcionar um bom espetáculo e o conforto que atraia a classe A, que hoje talvez não vá ao estádio. Não podemos ter dirigentes voluntários que chegam no clube às 17h para tomar decisões. Não é que eles não sejam competentes, só não têm o tempo necessário para se dedicar ao clube. Então, o primeiro ponto é a profissionalização do dirigente - receita.
A polêmica não terá fim, mas um estádio que contemple todas as camadas da sociedade e suas necessidades é na visão de muitos uma saída para os clubes arrecadarem mais. Areas até sugere uma solução nos mesmos moldes para o Maracanã.
- Um estádio público como o Maracanã poderia ter o Flamengo, por exemplo, como sócio, pois é inviável um clube assumir sozinho o estádio do ponto de vista do modelo de negócio. O governo poderia deixar uma zona de 40 mil pagantes com preços populares e não cobrar ao Fla a taxa de manutenção do estádio enquanto os outros 40 mil ingressos teriam preço mais alto ajudando a fortalecer o Flamengo que por sua vez manteria seus ídolos no clube - concluiEntrevista concedida ao GLOBOESPORTE.COM
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Opinião
O episódio da promoção da Nestlé virou um tiro pela culatra tanto para a empresa, que investiu no Flamengo, como também para parte da gigantesca torcida rubro-negra, que penou para trocar latas de Neston por ingressos. A polêmica levantou dúvidas no meio do marketing sobre o futuro de investimento de grandes marcas corporativas no futebol, que, se é atraente pela visibilidade, não deixa de ter alto risco, haja visto que qualquer fato fora do programado pode macular o nome do patrocinador.
Ex-diretor de marketing do Flamengo, João Henrique Areias acredita que haverá inibição em futuras promoções e parcerias.
- O torcedor, que deveria ser tratado como rei, foi totalmente desrespeitado. Agora, uma empresa ou agência de publicidade pode ficar temerosa de sugerir ao cliente que se associe ao futebol - diz Arêas, que recentemente lançou o livro "Uma bela jogada - 20 anos de marketing esportivo".
Segundo ele, pior foi ver o Flamengo tentando se eximir de qualquer responsabilidade.
- O presidente Márcio Braga deveria ter ligado para o da Nestlé e propor uma retratação em conjunto. A atitude equivocada do clube é fruto desse modelo de gestão amadora. Se fosse profissional, cabeças certamente iriam rolar.
Areias pensa que o clube deveria ter discutido com o patrocinador.
- O clube poderia ter explicado que a situação mudou, criar outras alternativas, como deixar a promoção para jogos do ano que vem.
Especialista em Marketing no esporte, João lançou recentemente um livro relatando a sua experiência no meio esportivo, que já duram 20 anos.
Adaptado - Jornal do Brasil
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Resultado da primeira palestra
Os temas abordados estimularam uma discussão que invadiu a sala de aula nas semanas seguintes, enriquecendo enormemente a proposta do curso. Sempre inspirado, Areias deu uma proveitosa contribuição para a formação de uma nova massa crítica de futuros operadores da comunicação, que dentro em breve estarão atuando nas áreas afins do mercado.
De minha parte, a admiração por aquele que me apadrinhou nos meandros do sportbizz só fez crescer. João é daqueles de boa cepa, que só faz refinar e apurar o estilo e a elegância com o passar dos anos. Na estrada do esporte há um par de décadas, conserva aquele brilho nos olhos e o otimismo nato dos que tanto contribuíram para as profundas mudanças no setor.
Das suas palavras, a grande lição que fica (e que no meu caso só se reforçou) é que criatividade, misturada com competência, seriedade e determinação resultam em mais do que Belas Jogadas, mas sobretudo numa Fantástica História de tantas e boas realizações -muitas das quais, tive a honra e oportunidade de participar, ombro a ombro, como parceiro e colaborador"
Luiz Léo
Professor de Marketing Esportivo
Areias está promovendo palestras em várias universidades do Brasil, contando os cases relatados livro. Para maiores informações 2267-6627.
